segunda-feira, 15 de abril de 2013

A sexualidade dos Cadeirantes!





Ser deficiente físico não é fácil, sempre existe dúvidas quanto a nossa realidade de estar sentado em uma cadeira de rodas. Como é isso? Como é aquilo? E lá vão perguntas que nunca acabamos de responder durante a nossa vida inteira. Não estou criticando, sei que o ser humano é curioso e acho válido de querer saber como é, assim construiremos um mundo quem sabe, com menos preconceito e mais aceitação entre as pessoas diferentes. Uma das coisas que mais nos perguntam de como é? É, estou falando nisso mesmo. Como se faz? Como é? Às vezes dá vontade de responder: - Bom a gente começa desabotoando a camisa e.... Claro, que não vou colocar detalhe aqui, mas que dá vontade, isso dá. O sexo é um tabu, imagina então, em se tratando de pessoas com alguma limitação física, mas estamos aqui para desmistificar a vida sexual do cadeirante.O sexo está sempre relacionado a cintura, bunda, pernas, então, as pessoas imaginam que como temos déficit nesses requisitos, a vida sexual não faz parte do nosso cotidiano. É bom lembrar que as pessoas em cadeiras de rodas são iguais a você em quase tudo, a única diferença é a mobilidade. Os sentimentos, as conversas, os interesses são iguais. Há algum tempo atrás acreditava- se que o deficiente era um ser assexuado. Você pode ser frígida, não sentir tesão, ter impotência, mas chegar pensar que somos assexuados está totalmente fora de questão. Sinto muito informar, mas temos vida sexual sim e de muita qualidade, eu garanto. (risos) Geralmente a família protege demais o deficiente, assim atrapalhando a vida sexual e afetiva do mesmo. Aceitar que nós, deficientes temos o direito de amar, que como qualquer pessoa precisamos de afeto, autonomia é o primeiro passo para nos tornar independentes sexualmente.  Vou falar aqui como mulher e cadeirante e com as minhas experiências. (risos) Como nós cadeirantes temos pouca sensibilidade da cintura pra baixo, muitas pessoas imaginam que não sentimos prazer. Claro, que cada pessoa é única, mas de modo geral as cadeirantes sentem prazer, orgasmo, igual a qualquer mulher, só que o jeito de chegar lá é um pouco diferente. Mas você vai me perguntar: Como é isso? Vamos por partes pra ficar com mais suspense. (risos) A principal diferença está na maneira de sentir prazer, uma vez que as zonas erógenas, responsáveis
pelo prazer não estão mais ligadas á parte genital. Um beijo mais "quente", ou toque em uma parte não convencional, pode se tornar mais excitante que o habitual. O cadeirante explora mais os sentidos, e o estímulo visual ganha mais atenção.  O prazer está diretamente ligado ao cérebro,  então é válido explorar a imaginação. Se você sente tesão em imaginar que está em uma praia deserta com o seu amor, vai em frente.  E tem mais, o orgasmo é uma função cerebral. Segundo a sexóloga Laura Müller:  "No cérebro  há o que se chama de centros de prazer: diversos núcleos onde se concentram as células nervosas responsáveis pelo prazer." Ou seja, é possível ter orgasmo sem sentir nada da cintura pra baixo. Alguns movimentos estão perdidos, mas mesmo assim podemos explorar de outros jeitos. Arrancamos algumas páginas do Kama Sutra e reinventamos outras, pode até não acertar na primeira tentativa, mas com jeito tudo se ajeita. Outra preocupação que as cadeirantes enfrentam é a questão fisiológica, esvaziar a bexiga antes da relação para não correr o risco de vazar, para elas isso é  primordial. O preconceito é nato do ser humano, quando uma parte do casal não é deficiente, os andantes são vistos como heróis, corajosos por "assumir" uma grande responsabilidade. Quando, isso é uma grande bobagem, já que ninguém está à procura de um enfermeiro, e sim de namorados. E o que todo mundo quer é carinho, prazer e amor. Então, relaxa e curte o momento! E você  vai me perguntar: Como fica a vida sexual depois de uma lesão medular? Eu respondo - Ela continua...

Beijo Grande!


domingo, 31 de março de 2013

Relacionamentos amorosos.


Falar de relacionamento amoroso e deficiência gera muita discussão, mas hoje, esse assunto está sendo muito mais ocorrente e fico feliz que as pessoas estão tomando consciência que o deficiente físico é igual a qualquer pessoa. Claro, que temos nossas limitações, mas isso não nos torna inferior as outras pessoas. Sei, que o corpo é o nosso cartão de visita, e geralmente esse corpo gera estranheza por parte das outras partes.  Quando alguém se apaixona por você não leva em consideração o estado físico. Pois a paixão, o amor, está acima desses fatores. Quando nos apaixonamos, apaixonamos pelo conjunto inteiro, pelo sorriso, o modo de falar, como se comporta, como sorrir, o corpo é só um agregado. Nós deficientes, temos a mania de ser inseguros perante as relações amorosas, sei que o medo de nos decepcionar nos torna mais frágeis. Somos como uma sapateira velha no canto da casa com muita poeira e cheia de sapatos, um dia alguém descobre aquela sapateira velha e ao abrir redescobre que a algo de bom nela, os sapatos. (risos) as imensidões de coisas bonitas. Quando alguém tá afim de você de verdade ele (a) não vai se importar do jeito que você anda, nem como seu corpo se apresenta. Pode ser a garota mais linda e sexy do mundo, mas quando o cara não tá afim, ele não vai correr atrás de você. Felizmente, as coisas acontecem de maneiras adversas, eu penso que isso é muito válido. Como todo mundo, temos nossas relações, como qualquer pessoa temos nossas diversidades. Ninguém é igual a ninguém e com isso aprendemos a respeitar o espaço do outro, refletir sobre o que realmente queremos. Não somos bibelôs, somos pessoas e isso acontece com qualquer ser na face da terra. Claro, que no começo tudo são flores, você pensa que encontrou o cara perfeito, mas com o tempo vão aparecer os defeitos. E com você será exatamente igual. Defeitos e qualidades existem pra provar o quanto a gente ama determinada pessoa.  Com o tempo você vai aprendendo a lidar melhor com as outras pessoas e as relações vão se tornando mais fáceis. RELACIONAMENTO não é fácil, mas cada um com seu jeito, suas diversidades, vamos nos acostumando um com o outro e se nessa relação o amor estiver em evidência, vai tornar um caminho sólido. Nada é tão gratificante quanto superar esses caminhos de pedras.  Relaxa, que no fim a vida toma o caminho certo.

Beijo grande! 

sexta-feira, 1 de março de 2013

3 anos de blog e alguns pensamentos soltos.




Pra começo de post, eu esqueci o aniversário do blog, deve ser a velhice, porém o importante é que eu lembrei depois de uma semana. (risos) Então, no dia 21 de fevereiro   o blog completou três anos de existência,  e digo a vocês leitores que foram anos muito bons. Entre o blog e eu existe uma linha tênue que separa a Tuigue antes e depois do Muletas. Depois, que comecei a escrever as minhas experiências como muletante e agora cadeirante comecei a perceber que há um mundo de possibilidades e também de transformação nessa vida de pessoas com alguma deficiência. Não quero fazer falsa propaganda, mas em fator de heróis e mocinhos, ninguém se torna um herói de verdade só por atravessar uma rua má calçada. Precisamos de acesso sim, é um direito que qualquer cidadão, de poder ir e vir com um pouco de dignidade. As cidades estão muito mal preparadas para receber uma pessoa com deficiência, mas não é por isso que vamos desistir. Sabe aquele lema: "Nois se vira." Então, quando queremos alguma coisa de verdade, conseguimos, não é questão da lei do mais forte, quem dera fosse assim. A deficiência ainda é uma das coisas que causa mais preconceito em uma sociedade, e acho que desmistificar esse pré- conceito é uma das formas com mais habilidade de tirar essa ideia que pessoas com deficiência não podem casar, namorar, trabalhar, dirigir e por aí vai.
   E sabe de uma coisa, eu melhorei muito como pessoa depois que comecei a escrever, meu ego narcisista foi a alturas nesse momento, mas sem brincadeiras, quem escreve mata os monstros que vivem dentro de nós mesmos. Sabe aquela coisa, você é deficiente, então tem que ser 100% feliz, pra mostrar para as outras pessoas como superou tudo! Cansei! Verdadeiramente, eu sou feliz por mim só, porém esse negócio de mostrar isso ou aquilo não é comigo, se preocupar o que as pessoas vão pensar. O importante é ser você,  pensamentos tristes vão inundar o nosso cérebro  não é porque somos deficientes que ganhamos um dispositivo eletrônico que diz: Você está sempre feliz! (imagine uma voz de robô) Momentos tristes, sofrimento faz parte do ser humano, acho que fazer perguntas sobre porque comigo? Isso é muito válido, pois assim a mágoa que um dia sentimos de ser diferente vai sumindo de maneira gradativa. Falando em mágoa, acho que isso eu nunca senti, mágoa por ser diferente, na verdade eu já nasci com uma deficiência e me acostumei com ela. Acostumar não é igual se conformar, mas eu não fico pensando em quando eu voltar a andar, pois vivo o presente, e penso que esses momentos estão me dando muitas lembranças que vou levar pra vida toda. Então, não saberia responder qual a pior situação nascer com uma deficiência que aos poucos vai paralisando  seus movimentos, ou de uma hora para outra você se ver em uma cadeira de rodas. Bom, o importante é saber olhar pelo lado mais suave, pois a vida é uma só pra sofrer com coisa pouco importantes, como: movimentos, pernas, braços, o que vale de verdade é o coração. (risos) Obrigada a todos por esses momentos aqui vividos, por ter paciência de ler as loucuras dessa maluca desvairada!

Feliz Aniversário ao blog e a nós todos! E que essa vida seja longa!

Beijo Grande!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Duas crianças e uma cadeira de rodas!

Oiii gente

Esse fim de semana eu filmei meus dois sobrinhos sequestrando a minha cadeira de  rodas.  Então, resolvi postar aqui no blog. Eles têm um fascínio com a cadeira de rodas. Sempre aprontam, mas eu sou uma tia muito orgulhosa. Desde muito pequenos eles estão acostumados com a deficiência e a estranheza não faz parte do cardápio desses dois. Claro que as perguntas sempre são frequentes, imagina o que se passa  nas mentes curiosas, mas respondo do jeito mais fácil possível. Às vezes não consigo driblar eles. (risos) O Gustavo um dia me falou que o sonho dele era ser cadeirante, porque ficaria sempre sentado, só rodando pra lá e pra cá. Mal sabe ele que essa é a parte boa de ser cadeirante... (risos)
Qualquer dia  farei um post falando das peripécias dos dois.

Vamos ao vídeo!!! Um vídeo de amadora, mas o que importa é a intenção.



Beijo Grande!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Só um post!




Depois que você se torna cadeirante tudo muda, principalmente seu corpo. Ele muda completamente e isso nos remete estranheza, pois tudo aquilo que é diferente assusta. Agora, você se encontra sentada e com muitas limitações. É um momento de reflexão. E também de avaliar tudo que restou. Movimentos, esperanças e claro, objetivos. As dificuldades não serão poucas, mas ultrapassar cada uma delas nos torna pessoas mais fortes em amplo sentido. Os momentos de raiva, rancor e ódio fazem parte desse processo, pois sem colocar tudo o que você realmente sente pra fora não irá conseguir ultrapassar essa fase complicada. Mas, depois a maré fica mais suave e é hora de seguir a sua vida. Quando esse processo de aceitação acaba você consegue olhar para trás e até colocar um sorriso nos lábios.  Eu posso afirmar com propriedade, pois já passei por isso e sei como os sentimentos e tudo que a gente acredita ficam de certa forma abalada. Eu lhes digo, é só uma fase, e sempre ter o olhar positivo diante dos acontecimentos não tão bons nos torna pessoas comuns como qualquer outra, como todos temos as nossas angustias e dificuldades e não vou mentir.  Elas prevalecem por algum tempo, mas não é por não andar que nos tornamos heróis  existem tantos heróis por outros motivos.  Sabe o que realmente somos? Pessoas, gente, ser humano que quer o direito de ir e vir como qualquer outro.  Bom, e o corpo como fica depois disso tudo? Muitos cadeirantes têm a imaginação fértil  e o costume do pessimismo, outros colocam na cabeça que só irão voltar a viver quando os movimentos por um passe de mágica voltar. Ah, como seria bom viver nesse mundo surreal. Como se de uma hora pra outra só com um copo de ovomaltine com células tronco dentro e pronto. Os movimentos viessem. Ah, mas a vida não teria graça se as coisas fossem tão simples assim. O que vale a pena de verdade nessa vida de cadeirante são dificuldades que passamos os perrengues, e olha que não são poucos. Eu que o diga! (risos) As mudanças no seu corpo é uma forma agressiva que você acorda e... Alô acorda você é um cadeirante, entendeu agora? Pernas finas, dores, coluna torta e movimentos cada vez mais reduzidos. Bom, agora não vou poder pular, correr? Será que vou poder tomar banho sozinho? Essas são as mais frequentes perguntas que todo "malacabado" faz depois de está sentado em uma cadeira. Eu lhes digo que tudo depende da lesão e também da vontade do cadeirante. Fazer fisioterapia ajuda muito na recuperação, pois assim ser tornará independente, que é um fator crucial na vida de qualquer "lesado" Correr, pular, subir escadas isso é muito relevante, você pode rodar por aí, muito melhor. (risadas altas) Agora, pernas finas, coluna torta, quem vai perceber isso? Coloca uma saia curta e seja feliz!

Beijo Grande! ;)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Projeto: Desmontando a Cadeira de Rodas...

Halteres de 2 e 4  quilos
Depois de alguns meses de fisioterapia os resultados já estão aparecendo. Claro que não são muitos, aos poucos eu vou conseguir alcançar o meu objetivo. Para ser mais disciplinada comprei até dois halteres de dois e quatro quilos, assim podendo continuar os meus exercícios em casa. Quanto mais, melhor  e com mais rapidez vou conseguir o meu objetivo, que no caso é ganhar força nos braços.  Então, pra quem não sabe sou uma cadeirante (novidade) e quero conseguir desmontar a minha cadeira de rodas pesando aproximadamente 15 quilos e eu  pesando mais ou menos uns 52. Ahhhhhh, que saudades dos meus 48 quilinhos, quando tinha 20 anos, agora que completei 25 as coisas mudaram.... KKKKK   No começo da fisioterapia comecei com os pesos, até aí tudo bem, depois fui para a máquina de musculação, quando cheguei a esse ponto surgiram muitas dores nos ombros e nas costas. Mas tudo é o começo, agora meu corpo já acostumou com os pesos e sente até falta... rsrs  O negócio de juntar as escapulas que pegou, até hoje às vezes me esqueço, to aprendendo. Tornar- se independente custa tempo e também provoca dores, é necessário para o crescimento do ser humano, ainda mais se for cadeirante. Eu quero isso  pra mim, nunca se sabe o dia de amanhã. Essa semana vou testar novamente desmontar a cadeira e qualquer avanço posto aqui para vocês saberem as minhas conquistas.

Ah, conto com a torcida de vocês, meu leitores queridos!
Eu não sei o que seria de mim sem esse blog, onde conto minhas alegrias e tristezas. Eu adoro escrever, mesmo escrevendo pouco. (Entenderam né?)  Na realidade escrevendo é onde me transbordo completamente, eu não sou muito de falar, sempre fui muito tímida, isso tem melhorado bastante ao longo do tempo. Vamos crescendo por dentro e por fora como pessoa, fazendo amigos, somos um emaranhado de coisas esquisitas que alguns aceitam e outros não. 

Como disse Dona Canô (mãe do Caetano Veloso)

"Ser feliz é pra quem tem coragem."

E é com essa frase que vou ficando por aqui!
Beijo Grande!