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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Feliz 2020

Oi gente!

Feliz 2020!!!!!

Bom, 2020 é um ano de mudança é o que diz os astros, os signos, os ascendentes, os planetas, o sol, a lua, as estrelas. Se você não acredita não posso fazer nada. Eu sim, acredito que tem algo maior que rege esse nosso planeta, todos os seres humanos e esses astros eles tem uma interferência significativa na nossa vida e nos nosso comportamento quanto seres humanos. Eu acredito que todo o caminho que a gente segue e as coisas que acontecem tem um motivo,  uma razão que vamos saber lá na frente.Tudo o que acontece com a gente seja bom ou ruim significa aprendizado para te tornar ainda mais forte do que você foi e positivamente melhor.  Acredite. (Estou muito esotérica.)

Já que 2020 é um ano de mudança, eu estava indecisa quanto ao blog, o que faria com ele. Eu até pensei em desistir de escrever. (eu sei que algumas pessoas querem me matar por isso, no bom sentido, claro.) Teve dois fatos que me impulsionaram a voltar escrever. O primeiro foi uma mensagem de uma pessoa cadeirante pelo direct do instagram. A pessoa em questão escreveu que conhecia pouco da minha história, mas o que conhecia ajudou a seguir em frente. sabe aquela frase. - "Não desista. Alguém está se inspirando em você." Me senti inspirada também pela pessoa que mandou o direct. Outro fato que ocorreu foi que vi um stories da Dani do @organizadani sobre produção de conteúdo, que me inspirou ainda mais. E cá estou, escrevendo novamente pra vocês.  Então, como esse ano  irei completar dez anos de blog e cadeirante, em meses diferentes, vou tentar ser mais assídua por aqui. 

O que você vai encontrar aqui no blog?

-Textos com experiências da lesada;
-Crônicas, contos e textos que falam do cotidiano e de amor;
 -Dicas de livros, filmes e séries preferidos;
-Dicas sobre moda e estilo 
-Fotografia
-Também escreverei sobre câncer (sim, temos que desmistificar.)

Se você tiver uma crítica, uma opinião, uma palavra, qualquer coisa:  pode deixar nos comentários. Fiquem ligados por aqui e pelas redes sociais que vem muita coisa boa por aí. 

Facebook: Tuigue Venzon
Instagram: @tuiguevzn

Que comece os jogos, ops, o ano! 
Beijo grande!

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Dicas - Infecções Urinárias


Oi gente!!!!

Então, depois de alguns anos cadeirante tive que fazer cateterismo intermitente, ou então mais popularmente falando usar sonda de alívio para poder fazer xixi. E com o uso da sonda vem as infecções urinárias. No começo tive muita infecção e custei a entender como poderia me livrar delas.

O primeiro passo, só você fazer o cateterismo- quando menos gente manusear os materiais para fazer o CAT menos risco de contaminação.

Ter muita higiene, lavar bem as mãos, usar álcool em gel, lenço umedecido para limpar o local e assim vai. Em primeiro lugar cuidar para a ponta da sonda não encostar em nenhum local. Pois quaisquer bactérias ou vírus que entra dentro da gente, vai fazer uma bagunça lá dentro e consequência causar mais uma infecção para o nosso histórico. 

Quando estava em tratamento de quimioterapia tomei seis meses antibiótico nitrofurantoína para evitar a infecção urinária, meu oncologista que indicou por usar sonda, isso ajudaria a não ter infecção durante o tratamento, e foi o que aconteceu.  Depois que terminei as quimioterapias, tentei parar com o antibiótico, mas não tive sucesso, tive muitas infecções recorrentes. Pesquisando sobre o assunto, falando e trocando com os meus amigos cadeirantes encontrei algumas soluções que agora estou adicionando na minha rotina. 


 1- Chá de cavalinha- Uma ou duas vezes na semana. A cavalinha possui ação adstringente, anti-inflamatória, cicatrizante, diurética, antimicrobiano e antioxidante. por ser diurética, ajuda no aumento da produção de xixi, assim expulsando as bactérias indesejadas. Ele também auxilia no tratamento de problemas renais e urinários, como cistite e no caso a mais temida por todos os cadeirantes que fazem uso de cateter - infecções urinárias. 

2- 1 grama de cranberry- Eu compro o cranberry em capsulas, assim facilita no meu dia a dia. O cranberry é rico em proantocianidina, substância apontada por estudos como sendo de 15 a 25 vezes mais potente do que a vitamina E para inibir a aderência e evitar a translocação (saída do intestino para o trato urinário) de bactérias principalmente do tipo E.coli na mucosa da bexiga, combatendo infecções urinárias. A fruta ainda é composta pelas vitaminas C e E, ele também oferece substancias antioxidantes para o organismo. 

3 - 1 grama de Vitamina C- A vitamina C ajuda a inibir o crescimento de bacteriano. 

4- Outro fator que estou acrescentando na minha vida é a água. então, eu quase não tomo água, mas estou me esforçando para que isso se torne um hábito, assim a mesma limpa todo o trato urinário fazendo com que dificulte a proliferação de bactérias. 

5- Um fator bem importante é fazer o CAT em horários certos. eu faço de quatro a cinco CAT por dia, assim esvaziando bem a bexiga, assim fazendo que não acumule bactérias lá dentro. 

Cateter Uretral SpeediCath Compact
6- Descobri a maravilha da  SpeediCath Compact, uma sonda que é possível fazer o CAT no banheiro e o mais importante, o cateter é composto de poliuretano, livre de PVC. Seu revestimento hidrofílico exclusivo, e lubrificado garante a inserção e retirada segura. E mais, reduz o risco de infecções urinárias e melhora a qualidade de vida. 

Essas são as minhas dicas, sei como é difícil ter que fazer cateterismo todo dia e ainda viver com a assombração da infecção urinária. Fazer CAT tem seu lado bom, a gente tem mais independência e liberdade, assim podendo ter uma vida normal, só tomando alguns cuidados. 

Beijo grande!


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

A primeira

Bom, faz tempo que quero postar um texto sobre o que estou passando nesse momento. Já ensaiei esse texto várias vezes, mas não consegui escrever realmente algo bom. Então, eu decidi escrever de trás para frente. Vou começar com processo de quimioterapia. É difícil escrever de um momento complicado na sua história, tenho certeza que vai ser só mais uma lembrança que renasci mais forte ainda. Com ideias e ideais diferentes sobre a vida, sobre aproveitar até a última gota cada momento que você tem a oportunidade de ser diferente, de renascer, pois a vida é agora. 

Na noite do dia 31 de janeiro tomei os cinco comprimidos que o médico receitou para antes da quimioterapia e fui dormir. Na manhã seguinte, dia 1 de fevereiro, acordei às 4:30 horas da manhã, engoli mais cinco comprimidos que o médico recomendou. Tomei banho, me arrumei. Levei uma bolsa térmica com sucos, gatorade (eu fiquei com muito medo de ficar enjoada) biscoito, maçã e barrinha de cereal. Nada muito saudável, eu sei, mas estou tentando mudar. 5:30 saímos de casa, minha irmã me acompanhou nesse dia, levamos mais de uma hora de viagem até chegar ao hospital. Quando a gente chega lá, pega uma senha e dois crachás. Esperamos até abrir, e fomos uma das primeiras a ser atendida, pois quem faz quimioterapia tem prioridade. Ufa! 


Entramos no hospital, passamos por uma triagem e seguimos a bolinha amarela até o setor de quimioterapia. Cada bolinha amarela no chão que passávamos ficava mais frio, até chegar lá, não parecia que estávamos no verão e sim no inverno.  Eu estava ansiosa, não sabia o que estava para acontecer naquele dia, mas ao mesmo tempo estava feliz pois seria menos uma quimioterapia para a conta. Chegamos a recepção mostramos a guia para a quimioterapia, os exames de sangue, a enfermeira nos mostrou o leito que iria ficar, sim eu fiz a primeira quimioterapia deitada, pois a minha levaria quase cinco horas, é deitar e curtir o geladinho entrando na veia. 

Deitei na cama, era quase 9:15 horas, logo a enfermeira veio "pegar" uma veia boa. Colocou o coquetel antes da quimioterapia que são: soro e remédios para o enjoo. 9:30 veio um lanche, iogurte, água de coco e pão quente, também tive uma visita da TO (Terapeuta Ocupacional). Uma conversa bem bacana, que acrescentou bastante. Enquanto isso o remédio corria pela as veias do meu corpo. Perguntei sobre os possíveis efeitos colaterais, a enfermeira respondeu que as pessoas aumentam muito, no meu caso, só depois de 24 horas que o remédio iria começar a fazer efeito. Ufa, novamente. 

Enquanto isso eu e a Paula conversávamos e comíamos (risos) A quimioterapia me deu uma fome doida. 11:00 horas veio uma sopinha em um copinho (tão pouco), se tivesse mais eu comia. Enquanto isso as enfermeiras trocavam os remédios que passavam pela veia. Depois a Paula foi almoçar e trouxe um copo de salada de fruta e comemos novamente. (risos).  Ah! Um efeito que a gente sente depois de duas horas mais ou menos é uma vontade doida de fazer xixi, bom como vocês sabem eu uso sonda de alivio, eu não sinto à vontade nitidamente. Algumas vezes quando a bexiga está muito cheia começa uns espasmos e também dor na perna. Então vazou (Tiveram que tirar toda a roupa de cama e colocar fora) é gente o remédio da quimioterapia é muito forte, e não podem aproveitar essa roupa com xixi. Agora sei que tenho que fazer o CAT de duas em duas horas. Ninguém me avisou né? As 14:30 horas acabou a quimioterapia, depois eu e a Paula passamos em uma sala que tem lá no Centro Oncológico para pegar uns lenços, pois o cabelo começaria a cair e voltamos para casa. 

Essa foi o dia da minha primeira. A gente nunca esquece as primeiras. Foi um dia diferente que vai se tornar comum nos últimos quatro meses para mim. A gente nunca sabe o que passar e como passar e na vida tudo é passageiro. A vida é isso, vamos com tempo adquirindo mais e mais força para não deixar as dores nos abater e de repente uma vibração diferente toma conta de nós para que as coisas boas passem a fazer parte da nossa vida!



Beijo grande! 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Sobre o Myrbertric

Oi gente!



Quando comecei a usar sonda consequentemente comecei a tomar junto o Myrbetric (Mirabegrona), que é uma opção inovadora para pessoas com bexiga hiperativa e é o primeiro e único em sua categoria de agonistas beta 3 adrenérgicos, que age sobre os músculos da bexiga para ajudar a controlar contrações. o tempo médio para o inicio da ação terapêutica é entre 3 a 4 horas.

O Myrbetric é indicado para quem possui a bexiga hiperativa - que pra nós cadeirantes, ocorre quando não se consegue controlar as contrações da bexiga. Os sintomas da bexiga hiperativa que são frequencia urinária, urgência urinária e incontinência urinária (vazamentos)

A bexiga hiperativa é um condição altamente predominante que impacta 20% da população do Brasil.

O Mirabegrona (que é o princípio ativo do Mybetric) é indicado para o tratamento dos sintomas da bexiga hiperativa tais como:


 - Necessidade repentina de esvaziar a bexiga (chamada de urgência)

- Precisar esvaziar a bexiga mais que o habitual (chamado de aumento da frequência urinária)

- Não ser capaz de controlar quando esvaziar a bexiga (chamado de incontinência de urgência).


No meu caso o Mirabegrona ajuda na eliminação do xixi via cateter uretral e também a ausência de escapes, ele ajuda a reter o xixi que está na bexiga. Faz mais de quatro meses que estou usando o Myrbetric e não tive nenhum efeito colateral e com a ajuda dele também os vazamentos acabaram para sempre.

Claro, é muito importante esvaziar a bexiga quando necessário. Ainda sou uma aluna nesse requisito de sonda/cateter, mas cada dia aprendo mais e quero ser cada dia mais independente quanto a sondagem. Se  você não usa e gostou da resenha do remédio fale com seu médico sobre o mesmo.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Pés, para que te quero?

Oi gente!





O post de hoje vai ser um pouquinho diferente. Depois que eu fiquei cadeirante eu tenho uma conexão (não sei se essa é bem a palavra) com meus pés. Não só com eles descalços, mais calçados também. Pode-se dizer que algo esquisito, né? No meu instagram quase toda a semana  posto alguma fotografia relacionado a eles. Não sei explicar, mas fotografar os meus pés me traz uma paz, tranquilidade,  como se  aquela fotografia mostrasse passos que eu não poderia dar, mas ao mesmo tempo eu sei que estou na cadeira e com certeza não poderia dar esses passos. Eu sou estranha, eu sei!

Frida Kahlo é autora de uma das frases mais famosas sobre pés. "Pés, para que te quero, se tenho asas para voar." Em parte concordo com ela, mesmo meus pés sendo inertes pela minha condição de cadeirante, eu os tenho, eles fazem parte do meu corpo. E eles ainda querendo ou não me ajudam na parte das transferências. Outra paixão que tenho são os tênis CONVERSE, ou o mais conhecido ALL STAR, mas isso vou deixar para outro post, aqui não se fala só de deficiência, mas tudo que engloba esse mundo um pouco diferente.

Uma época distante até pensei em fazer uma série fotográfica com as fotos que tenho dos meus pés, mas seria muito narcisismo da minha parte, então criei no instagram uma hashtag que se chama #pezinhosdato. Lá vocês irão encontrar uma forma diferente de andar nas minhas imagens.
São muitas imagens, então irei escolher algumas para vocês terem uma noção.
Aproveita e segue a lesada ali do lado -------->



Beijo grande! 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

A Experiência

Oi gente!



Quando se é cadeirante você passa por experiências que ninguém mais passa, e de uma forma maluca isso é maravilhoso em um sentido amplo. (Minha deusa cadeirante interior deu um twiste carpado rs) Deixando a deusa interior de lado e continuando esse post, principalmente quando você sai sozinha é aí que as coisas acontecem, e eu sempre vejo a lado positivo desses momentos. Não adianta você ficar com raiva, ou então querer passar a roda da cadeira de rodas por cima do pé do amiguinho. Temos que tirar o máximo de aprendizado dos momentos difíceis.


Escrevendo sobre isso vou lhes contar o que aconteceu com a lesada que lhes fala. Um dia desses voltando da fisioterapia, passei no hipermercado da minha cidade. Bom, deixa eu explicar: No hiper tem lojas, farmácia, casa lotéricas e afins, e acima de tudo ESTACIONAMENTO PARA PESSOA COM DEFICIÊNCIA. Estava sozinha de carro, parei o mesmo na vaga destinada para mim. Tirei a cadeira, sim, eu desmonto a cadeira sozinha, dessa vez ninguém veio me abordar. Me transferi para a cadeira, peguei a bolsa, a chave do carro, tranquei-o, me destinei a fazer minhas coisas. Passei na farmácia, depois na casa lotérica, e por último comprei umas frutas no mercado.


Quando voltei, alguém tinha trancado o meu carro. Como assim Tuigue? Quem conhece a vaga para pessoa com deficiência sabe que a vaga tem uma parte amarela para descarregar a cadeira de rodas. O carro estacionou bem nessa faixa, não deixando espaço para a cadeira de rodas. Abri a porta do caroneiro, coloquei a minha bolsa e sacolas que estavam comigo. Fui até a recepção do mercado informar o acontecido. A funcionária avisou com o microfone o acontecido, dois funcionários e eu ficamos esperando no estacionamento. Passou dez minutos e nada, trinta e nada. Um dos funcionários que estava me acompanhando falou: 
- Se não for velhinho, vou encher os pacovás. (Risos) 
E mais uma vez os minutos estavam passando e nada. Então falei para um dos funcionários que teria que ir embora, já estava muito tempo ali. Perguntei se ele me ajudaria a desmontar a cadeira e colocar no banco de trás do carro, pois eu iria passar pelo banco do caroneiro para o banco do motorista, assim poderia voltar para casa. Eu dei as coordenadas e o funcionário me ajudou a desmontar a cadeira, quando ia saindo ainda pediu desculpas pelo acontecido. E assim foi mais uma experiência da lesada. 


A lição é que temos que aprender a lidar com as dificuldades e ter estratégias para saber sair bem de qualquer situação. (risos) 

Beijo grande!  

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O CAT - (Cateter Uretral)



Oi gente!

Hoje vou abordar mais um pouco  sobre o CAT (cateterismo intermitente), bom uma coisa que aprendi foi que a gente só ganha em qualidade de vida, liberdade e independência como cadeirante. Pesquisei mais sobre o assunto e descobri que não somos só nós cadeirantes que fazemos o CAT, pessoas andantes com distúrbios na bexiga também podem precisar fazer o cateterismo.

Existem dois tipos de cateter uretral, todas as duas opções são descartáveis e disponíveis no calibre: 08,10,12 e 14. O cateter que a maioria dos cadeirantes utilizam, na verdade é o mais comum. Esse cateter deve-se utilizar xilocaína em gel para a lubrificação. Pode receber esse cateter pelo SUS. Precisa ter em mãos uma receita do seu urologista, indicando o cateter para a utilização e a quantidade usada por mês. É feito um cadastro e todo mês você recebe a quantidade necessária para a realização do cateterismo intermitente.



Cateter Uretral SpeediCath

Outro tipo de cateter uretral é o SpeediCath Compact, foi desenvolvido para a drenagem da bexiga por cateterismo intermitente, sendo seu foco principal a higiene e segurança.

SpeediCath é um cateter uretral diferenciado, lubrificado, assim facilitando o CAT, ele tem uma tecnologia que pode ser utilizado no vaso sanitário por exemplo. Legal, né? O valor do cateter é um pouco salgado comparado com o não lubrificado, mas é uma opção bacana quando tivermos que fazer o cateterismo fora de casa. O SpeediCath oferece uma tecnologia, onde o manuseio proporciona menos infecções urinárias. (Adorei isso) Também podemos adquirir o SpeediCath judicialmente. Fale com seu médico que ele lhe informará mais sobre isso. Espero que tenham gostado do post e nunca se esqueçam:

Lavar bem as mãos é muito importante quando ao uso de qualquer cateter. 


Para mais informações sobre o SpeediCath clique aqui.

Beijo!

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O Cat





Oi gente!!!

Quem me conhece um pouco e acompanha o blog sabe que eu tenho bexiga neurogênica pela minha deficiência que se refere à disfunção da bexiga devido a doença do sistema nervoso central ou nervos periféricos envolvidos no controle da micção.  A bexiga neurogênica pode ser hipoativa (incapaz de se contrair, não esvaziando adequadamente) ou hiperativa (esvaziando por reflexos incontroláveis)

A minha incontinência sempre foi leve até uns meses atrás. Eu sabia que um dia ela iria mudar e eu teria que usar sonda. Na verdade, na época  procurei matérias na internet e não achei nada de muito informativo. Tive medo de não conseguir fazer o Cat (cateterismo intermitente) sozinha. Consultei alguns urologistas, foram três até chegar o diagnóstico que eu tanto temia: Sim! Eu teria que fazer o CAT. 

Ainda há muita desinformação quanto ao esvaziamento correto, principalmente para as mulheres cadeirantes. No youtube achei alguns vídeos explicando como fazer, mas mesmo assim sempre há uma resistência da nossa parte, dúvidas, medo, insegurança tudo junto e misturado com uma coisa tão simples que é fazer xixi.  Pensei que seria difícil e no começo, e foi – não posso negar. Lembro que algumas vezes demorava mais de 20 minutos até conseguir, ainda bem que tudo muda na vida. (risos) Pedi ajuda para algumas amigas cadeirantes, perguntando para elas como foi e como elas fazem. Isso me ajudou muito e cada uma falava uma dica que fui guardando.  Mas com o tempo a gente acostuma e é tão fácil e automático que você nem lembra como fazer xixi de outro jeito. (risos)

Comecei fazer cinco vezes por dia, hoje já posso fazer três vezes ao dia. A cada sondagem você tem que medir, assim monitorando o quanto de xixi está saindo, o máximo que podemos retirar é de 400 ml. Também procurei dicas para ajudar: 
 - Evitar alimentos como:café, chocolate, refrigerante, suco de laranja, e alimentos picantes que irritam a bexiga. Mas de vez em quando a gente foge da dieta, não é mesmo?
-Consumir alimentos que ajudam como prevenção da infecção urinária como: abacaxi, limão e chá (só o chá preto que não.) 
-Beber água!
-Evitar bebidas alcoólicas
-Manter o peso controlado 
-Cuidar muito da higiene para não adquirir infecção urinária.
-Evitar de ficar tomando antibiótico para que a bactéria da infecção urinária não se fortaleça.
- Não esqueça de ter um acompanhamento com o seu urologista, só ele pode avaliar  o que é melhor para você. 


 Outro fator que eu amei é a liberdade que o CAT  oferece, ainda mais quando se trata de pessoas com mobilidade reduzida que nem sempre existe banheiro adaptado em cada esquina. Bom, agora sou uma cadeirante que também faz o CAT, e essa transição foi uma fase muito importante na minha vida que descobri várias coisas, quem sabe um dia escrevo sobre isso para vocês. Espero que gostem das dicas. Farei mais um post, explicando sobre materiais e sondas disponíveis hoje.

Beijo grande!  (Saudade de escrever aqui)


sábado, 18 de outubro de 2014

Apenas um nome!


  
   

 Ter um nome diferente há vantagens e também desvantagens. Logo que você conhece alguém, a pessoa sempre pergunta o porquê do nome, e você com toda delicadeza explica-o. Quem mandou ter um nome diferente? Ninguém! Lembro que quando era criança e ia ao médico com meus pais, e as secretárias dos respectivos perguntavam meu nome, e nunca sabiam como escrevê-lo, e eu toda intrometida, logo soletrava T – U – I – G – U – E (e achava o máximo poder soletrar o meu nome.) Mas na verdade eu adoro o meu nome, mesmo sendo estranho, diferente, incomum, talvez também por ser incomum, chata e compulsiva por xícaras (risos)
   
   Vou lhes contar a verdade, como esse nome chegou a pessoa aqui, ops lesada. Minha mãe trabalhava na casa de um casal que na época não eram muito novos, a mulher estava grávida de uma menina. E naquele ano a Modelo Twiggy foi desfilar onde ela morava, mais precisamente em Joinville, e a tal mulher foi ao desfile e minha mãe também, claro. Quando a menina nasceu ela colocou o nome de Tuigue e anos mais tarde, eu nasci e também recebi o mesmo nome. Sempre almejei um nome com significado, do tipo nasceu pra ser amada. No meu caso, nasci pra ser um graveto (risos), pois twigs é graveto. Isso eu invejo dos outros nomes. Sempre gostei de significados, e acredito em acontecimentos incomuns, nada nessa vida acontece por acaso, tudo tem um sentido de ser. 
      Então agora vou contar a história da modelo Twiggy, que na verdade se chama Lesley Lawson, nascida em Londres, setembro de 1949, é uma modelo, atriz e cantora britânica. Considerada uma das primeiras supermodelos do mundo, sua imagem quase andrógina, macérrima, pequena, com cabelos loiros muito curtos e imensos olhos realçados com camadas de rímel e cílios postiços, a tornaram um ícone da moda e de estilo dos anos 60. Filha de um mestre de carpinteiro e de uma balconista nas lojas Woolworth, ela estudou na Kilbum High School of Girls e começou a carreira de modelo aos 15 anos, em 1964. Sua aparência adolescente, muito magra, lhe rendeu o apelido “Twigs” (graveto) o que levou ao apelido que a tornaria famosa mundialmente, Twiggy, que a dona achava ridículo. Em 1970, com apenas 21 anos, menos de 5 anos de carreira e no auge da fama, Twiggy encerrou precocemente sua carreira, como a mesma falou em uma entrevista, “ninguém pode ser um cabide de roupas para sempre”, depois dedicou-se a carreira de cantora e atriz. Aos 56 anos, ela voltou à moda para desfilar, filmar e fotografas a coleção da grande cadeia de lojas de roupas Mark&Spencer. Sua participação nesta campanha fez com que a imprensa britânica a creditasse como responsável pelo nascimento da marca. Twiggy Lawnson ainda vive e lançou uma marca de roupas com seu nome.

   
  Bom, não sou nada comparada a ela, um ícone dos anos 60 que até hoje é lembrada por muita gente. Sou só uma “relis” cadeirante, “fodida” (desculpa a palavra, mas às vezes é preciso), famosa e feliz. (risos) Fodida, por ser minha condição de cadeirante e a máquina que levo todo dia por onde vou, estar com as engrenagens um pouco gastas, famosa, bom isso é muito relativo, você pode ser famosa por muitas coisas, por reconhecimento do seu trabalho e esforço, por plantar o bem por onde passa, por fazer algo que realmente vale a pena nessa vida, e penso que há muitas contingências, talvez o blog traz algo de legal, de bom para minha vida. Bom, agora falta ser feliz, eu acho, não, eu tenho certeza que eu sou uma menina, garota, pessoa, mulher feliz, que a vida nos traz uma gama de possibilidades e cabe a nós filtrarmos os momentos bons e ruins, é só deixar entrar em nosso coração a felicidade. 

E essa sou eu, Tuigue!

Beijo grande! 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A Ventus!

                                                                 



Quem me acompanha pelas redes sociais,  Instagram e Facebook, sabe que há um mês e meio troquei de Cadeira de rodas. Bom, foi uma caminho duro e árduo até escolher uma cadeira de rodas boa e  com um preço acessível, (se é que posso falar que o preço seja acessível). Optei por uma importada, OttoBock, fabricada na Alemanha entre tantos modelos, escolhi a Ventus. A cadeira é um pouco mais leve do que a M3, e  também  mais rígida, não faz barulho, por que a outra já estava parecendo quase uma carroça velha.  Estou notando que ela é mais segura, até na questão de empinar, já empinei algumas vezes e até agora não tive tombos, por ser mais leve qualquer movimento com a coluna para trás ela já está empinando, custei a acostumar com isso. Mandei fazer 2 cm mais baixa que a M3, por questão de acomodação das pernas, eu achei que ficou melhor, também diminuiu o tamanho do assento da cadeira, antes usava uma 38 cm de largura  X 44 cm de profundidade, agora com a Ventus, uso 36 cm X 40 cm, deu uma diferença boa, mas ficou mais confortável para a cadeirante aqui.
       

Também aumentei a altura do encosto, antes de 30 cm, agora foi para 32,5 cm, achei o encosto bem confortável assim, as dores musculares até diminuíram, e a minha coluna fica bem encostada, acho que deve isso pela diminuição do comprimento do assento. Achei também que as pernas ficam mais descansadas. Já saí com ela pelas ruas e a mesma se mostrou com um desempenho superior a M3. Quando impulsiono o aro ela vai longe, mantendo o equilíbrio da minha coluna e postura Uma das coisas que não gostei muito na cadeira foi o apoio dos pés, achei pequeno, e também muito inclinado, por eu ainda ter movimentos na perna direita, o pé fica caindo do apoio, mas é só questão de costume, logo,logo darei um jeito nisso. Claro que faz muito pouco tempo, e  só vou ver o desempenho da cadeira com o passar dos dias, meses. A cadeira é um fator muito importante na nossa vida de cadeirante, ela deve ser leve, confortável, pois é a mesma que vai te dar o apoio para te levar onde você quiser  Mas no geral é uma cadeira boa, comparado o valor de algumas cadeiras importadas. Fiquei triste por que não poderei colar meu adesivo de borboletas no encosto da cadeira, quem sabe mais tarde faço uma tatuagem das borboletas na minha pele. (risos) Sou uma péssima influência, viu gente!
      A minha primeira cadeira eu doei, (uma TokLeve em X),  que usava esporadicamente na época que a lesada que lhe escreve era muletante, espero que a pessoa que recebeu seja bem feliz com ela.  A M3 ainda não sei o  que vou fazer, é sempre bom ter uma cadeira de reserva, nunca se sabe o que pode acontecer. Vou ficar mais um tempo com ela e depois vou ver o que faço com a mesma. 



Beijos cadeirantes! 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Colocando o tênis sentada na cadeira de rodas...


Oi gente!

Então, hoje resolvi fazer um vídeo de como coloco os tênis sentada na minha cadeira de rodas... Eu estava um pouco nervosa (risos). E a minha câmera não ajudou muito, mas o resultado ficou bacana, pra quem pediu está aí o resultado. Espero que gostem...





Beijo grande!

domingo, 10 de agosto de 2014

Momentos!


Acredito que a vida seja feita de momentos. Momentos felizes e aqueles momentos não tão felizes. Momentos que ainda estão por vir, momentos que você ainda não viveu e que não irá viver. Se eu fosse escolher de todos esses momentos feitos em uma vida, escolheria um momento que nunca irei mais viver. Andar. Eu já andei até vinte e poucos anos, mas queria saber como seria agora, como eu seria sem nenhuma deficiência existente. Como eu seria no papel de andante, o que ela pensaria, como agiria, como seria verdadeiramente? São muitas perguntas sem respostas, mas sou feliz com as escolhas que fiz, com as pessoas que conheci, com os amores que tive. Cada momento que tive foi muito válido e muito vivido, entretanto são sonhos que a realidade não pode satisfazer. 

Não sou pessimista, porém tenho os pés no pedal da minha cadeira e a realidade é muito outra. Só você sentindo esse mundo cadeirante que vai perceber que a melhor escolha é tocar as rodas para frente do que esperar uma cura milagrosa. A vida é feita de sonhos, de palavras que se juntam no meio de uma madrugada fria e sem sono. É desse tipo de momentos que criamos momentos que não estão escritos no nosso futuro, no entanto estão escritos no nosso pensamento.

Então imagine um dia que você poderá viver de uma forma totalmente diferente. Eu escolheria a minha idade, o mês de janeiro, a estação verão e o dia mais lindo de sol que existe nesse mundo. Eu acordaria cedo, sentada na cama já sinto o chão frio do piso, meus pés magros, e, de repente, meu corpo se ergue e eu me levanto, vou até o banheiro, entro, ligo chuveiro e sinto a água quente bater contra meu corpo, sinto a água escorrendo pelas minhas entranhas e não preciso colocar mais quente, pois estou de pé. Coloco uma roupa confortável, pego a bolsa, coloco protetor solar, óculos de sol, livro, caderno, caneta e todas essas coisas necessárias para um dia. Pego a bolsa, e sem precisar dar satisfação a ninguém, saio de pé, sinto meus pés pelas calçadas das ruas, sinto o sol queimando a minha pele, sinto o vento fresco do dia que só está começando. Eu ando em uma rua ensolarada com árvores e bancos. Sento em um dos bancos, pego meu caderno e faço algumas anotações. Leio um pouco e fico observando as pessoas passarem e me olharem.  Levanto dali novamente e caminho pela rua linda, cheia de cores, cheiros e momentos novos. 

Eu ando sem parar, me sinto livre, até começo a girar com os braços abertos. As pessoas que passam por mim, olham e continuam seus caminhos. Mas elas não sabem o quanto sou feliz, e aquele momento único está acontecendo. 

Recebo a ligação de alguém especial e marcamos de almoçar juntos. Chego até o lugar que marcamos, e ele já está a minha espera. O mesmo comenta como estou bem. Almoçamos juntos e, depois, saímos para conversar sobre nossas poesias, nossas palavras. Visitamos alguns lugares com muitas escadarias, até sentamos na escada e ficamos observando à tarde, enquanto conversamos de tudo e qualquer assunto, livros, músicas, vinhos, política e até futebol.  Tomamos sorvete de chocolate, enquanto a tarde passa por nossos olhares. 

Então, ele me convida e vamos à praia e sentamos na areia, ficamos observando a beleza desse pôr do sol e único, pois não haverá mais nenhum igual. Tiro os sapatos e empurro a areia com os pés. Corremos até a água e tomamos banho de mar. Sinto a água salgada tomar conta do meu corpo e gosto da ideia de sentir tudo aquilo. Só quero que aquele dia não acabe. Quero sentir tudo novamente, aquele dia simples de um dia como qualquer outro. Sentamos na areia novamente para esperar a roupa secar. Falo pra ele o quanto estou feliz, e discutimos nossas filosofias sobre o mundo e a questão da felicidade. Depois, voltamos para casa, pois o dia já está no final, e amanhã não serei mais uma andante. Antes de adormecer, irei sentir tudo o que vivi naquele dia, sons, cheiros, toques, ventos, sol, o janeiro mais interessante da minha vida. 



sexta-feira, 25 de abril de 2014

Mais duas!

Oiii Gente!

Tatuando o coração
Desde adolescente sempre gostei de tatuagem que naquela época era um horror quem aparecia com algum desenho esquisito em casa.  A tatuagem já foi sinônimo de rebeldia, e outras coisas não muito agradáveis, felizmente as coisas mudam e hoje em dia ter uma tatuagem é super, hiper, mega normal, claro que sempre existirá aquela pessoa que vai criticar e como tudo na vida existe os prós e contras e basta você escolher o caminho que quer seguir. Bom, hoje eu tenho três tatuagens, a primeira fiz com 28 anos e as duas últimas fiz esse ano. E não me arrependo de nenhuma delas e quero mais duas que irei fazer no inverno. Só uma coisa você tem que ter em ideia, tatuagem tem que se escolher bem, saber do que se quer realmente, já que o desenho nunca mais vai sair.  Segunda coisa é procurar um profissional habilitado para isso, já que você escolheu o desenho tem que ficar um trabalho bonito, bem feito não é mesmo!!!  Quem quiser falar ou ver o trabalho do Felipe Formiga Abstrattoo, está aí o facebook dele. (O Felipe que fez as minhas duas tatuagens desse ano), e realmente um trabalho muito bem feito, pra fazer esse traço fino do triângulo tem que ser fera. hehe  E depois da primeira, é quase um vício, mas no sentido bom da coisa. (risos) Algumas pessoas acreditam que a tatuagem tem que ter algum significado. Então, as duas tatuagens que fiz foram pequenas, só contornos e parece que no ombro doeu mais, mas é uma dor suportável. O triângulo tem uma simbologia bastante abrangente. Ele representa a ligação entre passado, presente e futuro e também corpo, mente e alma. Ele também simboliza a força, a solidez e o fato de ser uma tatuagem só de contorno realça a sua simplicidade e harmonia. O triângulo tem vários significados, dizem ainda que é uma forma de perfeição, tanto na geometria, religião, etc, li também que funciona como uma unidade universal, mas tatuei pelo primeiro significado.
O Coração: é considerado um simbolo universal feminino e, sendo assim, é um dos desenhos mais comuns feitos em tatuagens por mulheres. Ele está diretamente ligado à vida, ao amor e tudo que está voltado ao valor afetivo de cada um.
O triângulo
Algumas pessoas ficam me perguntando: Agora que você é nova tudo fica bonito, mas quando você for velha. Muito simples, vou ser uma velhinha tatuada. (haha) Não vou ser pior, nem melhor que ninguém, apenas terei um diferencial. Já ouvi muitas pessoas falarem: To (meu apelido), você é doida! E sou mesmo, sou a louca da família, sempre tem que ter alguém diferente, que foge das regras, da simplicidade. E eu acho que sou esse alguém, ainda tenho muitos caminhos pra percorrer, algumas escadas irão parar na frente e não vou saber o que fazer, mas todas as experiências da minha nada mole vida irão ter algum significado lá na frente. Vou esperar sentada pra ver né! (risos)  Imagino que as pessoas se preocupam quando ficarem velhas e tal, eu quero me arrepender do que fiz e não do que não fiz. E tatuar pra mim significa transcender.. É um desenho que significa algo, um momento da minha vida,  eu posso mudar, as pessoas em minha volta também podem mudar, mas o sentimento que  estava passando por aquele momento está ali cravado em minha pele. Independente da forma que está, desenho ou escrita. E cada um nós é um ser estranho, acredita em coisas, valores e costumes diferentes, a vida é assim, um mundo diferente de cada um. 



Beijos enormes! 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vida Sexual do Cadeirante



Oiii Gente!


Bom quem não sabe eu tive uma participação pequena em uma matéria no Portal IG sobre a Sexualidade do cadeirante! A matéria é bem interessante e fala sobre as nossas experiência no mundo da sexualidade. Quem quiser ler fique a vontade! Vou deixar o link aqui: Cadeirantes Derrubam Mitos Sobre a Sexualidade


Uhuuu! É nós em tudo que é lado!

Beijão! ;)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

OI?

Oi gente! 

Bom, agora o blog está com uma novidade.  A partir de agora todo mês vai ter um post de algum convidado, seja deficiente ou não. E também pode ser qualquer assunto, não precisa ser só ligada a deficiência. Pois assunto é que não falta, não é mesmo!!! hehe 


E vamos começar bem. O texto de hoje é do queridíssimo Mario Sergio, morador de São Paulo que também possui uma deficiência chamada
Osteogênese Imperfeita, mais conhecida como "A doença dos ossos de vidro". Mas é isso aí,a vida continua e nós também continuamos, mesmo com as nossas dificuldades. Então, é melhor sentar e curtir o texto. hehe




OI?

Bom... A dona do blog me convidou para falar um pouco sobre deficiência. Algo que me toca de perto, já que possuo alguma. Todo ser humano possui. Se não fisicamente, psicologicamente, culturalmente ou espiritualmente, mas falo especificamente de uma deficiência no corpo, na carne, mais especificamente ainda nos ossos. É, nos ossos. Eu tenho uma síndrome rara conhecida como Osteogênese Imperfeita. Na verdade, não muito conhecida por esse nome. É mais facilmente lembrada se você disser que é "a doença dos ossos de vidro". Com aspas e tudo para dar um tom mais dramático e emocionante.
Bem... Não sei muito bem como falar sobre ela. Digo desde já que é a minha companheira mais fiel, sempre comigo, onde quer que eu vá. Não sei se uma mulher tão grudenta pode ser considerada uma boa parceira, mas é isso. Desde pequeninho, ela tem estado comigo. Perturbando e moldando a minha vida como bem quer, ou como eu bem deixo. E tento não deixar muito. Quero ser um marido autoritário. Que ela saiba que quem manda nessa bagaça aqui sou eu!
Brincadeiras à parte, como o próprio jeito popular de nomear a doença deixa claro, ela é um tipo de fragilidade óssea. Os meus ossos são bem mais frágeis do que os do pessoal "normal". E isso traz alguns inconvenientes. Como não poder praticar atividades muito radicais. Como piscar os olhos, por exemplo. Tá... Zoei. Mas jogar futebol é melhor não tentar. Nem manobras espetaculares no skate. É melhor nem tentar se equilibrar no skate só para garantir... Enfim.
A minha vida é o mais comum que eu consigo fazer com que seja. Fora as limitações que vêm ou podem vir da OI (jeito mais tranquilo e simples de chamar a parada. Favor não confundir com operadora de celular), eu tenho todas as potencialidades que qualquer outro ser humano tem. Aprendo, ensino, amo, odeio, sou magoado, magouo, alegro, sou alegrado, me entristeço e trago tristeza. Totalmente monstruoso e maravilhoso como qualquer outro. E até poderia enfeitar isso com uma história de vida, mas não estou muito a fim de biografias hoje. 


Mario Sergio



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Cadeira!

Oi gente!

Hoje vim aqui contar uma experiência não muito boa.(risos) Algumas semanas atrás como qualquer pessoa normal fui ao shopping com a minha irmã e eu tive a infeliz ideia de deixar a minha cadeira em casa, pois não iríamos demorar, assim poderia usar aquelas cadeiras de rodas que estão disponíveis para o uso de qualquer pessoa com a locomoção reduzida, ou seja os quebrados mesmo. Chegando no shopping, minha irmã estacionou o carro e foi até a recepção pegar a cadeira,  a aparência não era das piores, comentei com ela, trocaram as cadeiras, essa deve ser melhor. Engano meu, sabe aquela sensação de você sair de um carro sedã e entrar em um fusca. (não estou criticando quem gosta de fusca, é só um exemplo) A cadeira era pesada, acho que pesava uns 100 quilos, sem brincadeira, vocês não tem noção... Rezei até pra Nossa Senhora dos Cadeirantes para eu conseguir tocá-la, se é que existe algum Santo que ainda ouve nossas preces. Deve estar atolados de tanta reclamação, rampas, acesso e lá vai. Mas
Meus pés na cadeira de rodas do shopping.
continuando, até que consegui por algum tempo, depois minha irmã empurrou um pouco que estava exausta, os braços cansados, desconfortável naquela cadeira. Pior que quando a minha irmã entra no shopping, ela demora anos luz pra sair de lá. (risos) Quando ela falou: - Vamos embora! O alívio tomou conta de mim. Ruim foi no outro dia, senti uma dor imensa nas costas e nos braços de tanto esforço, nunca senti uma dor como aquela, deve ser a idade que está ajudando. Por isso, nunca reclame da sua cadeira de rodas, existem piores por aí! 
Mais uma experiência da lesada! 

Beijo grande! 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

A sexualidade dos Cadeirantes!





Ser deficiente físico não é fácil, sempre existe dúvidas quanto a nossa realidade de estar sentado em uma cadeira de rodas. Como é isso? Como é aquilo? E lá vão perguntas que nunca acabamos de responder durante a nossa vida inteira. Não estou criticando, sei que o ser humano é curioso e acho válido de querer saber como é, assim construiremos um mundo quem sabe, com menos preconceito e mais aceitação entre as pessoas diferentes. Uma das coisas que mais nos perguntam de como é? É, estou falando nisso mesmo. Como se faz? Como é? Às vezes dá vontade de responder: - Bom a gente começa desabotoando a camisa e.... Claro, que não vou colocar detalhe aqui, mas que dá vontade, isso dá. O sexo é um tabu, imagina então, em se tratando de pessoas com alguma limitação física, mas estamos aqui para desmistificar a vida sexual do cadeirante.O sexo está sempre relacionado a cintura, bunda, pernas, então, as pessoas imaginam que como temos déficit nesses requisitos, a vida sexual não faz parte do nosso cotidiano. É bom lembrar que as pessoas em cadeiras de rodas são iguais a você em quase tudo, a única diferença é a mobilidade. Os sentimentos, as conversas, os interesses são iguais. Há algum tempo atrás acreditava- se que o deficiente era um ser assexuado. Você pode ser frígida, não sentir tesão, ter impotência, mas chegar pensar que somos assexuados está totalmente fora de questão. Sinto muito informar, mas temos vida sexual sim e de muita qualidade, eu garanto. (risos) Geralmente a família protege demais o deficiente, assim atrapalhando a vida sexual e afetiva do mesmo. Aceitar que nós, deficientes temos o direito de amar, que como qualquer pessoa precisamos de afeto, autonomia é o primeiro passo para nos tornar independentes sexualmente.  Vou falar aqui como mulher e cadeirante e com as minhas experiências. (risos) Como nós cadeirantes temos pouca sensibilidade da cintura pra baixo, muitas pessoas imaginam que não sentimos prazer. Claro, que cada pessoa é única, mas de modo geral as cadeirantes sentem prazer, orgasmo, igual a qualquer mulher, só que o jeito de chegar lá é um pouco diferente. Mas você vai me perguntar: Como é isso? Vamos por partes pra ficar com mais suspense. (risos) A principal diferença está na maneira de sentir prazer, uma vez que as zonas erógenas, responsáveis
pelo prazer não estão mais ligadas á parte genital. Um beijo mais "quente", ou toque em uma parte não convencional, pode se tornar mais excitante que o habitual. O cadeirante explora mais os sentidos, e o estímulo visual ganha mais atenção.  O prazer está diretamente ligado ao cérebro,  então é válido explorar a imaginação. Se você sente tesão em imaginar que está em uma praia deserta com o seu amor, vai em frente.  E tem mais, o orgasmo é uma função cerebral. Segundo a sexóloga Laura Müller:  "No cérebro  há o que se chama de centros de prazer: diversos núcleos onde se concentram as células nervosas responsáveis pelo prazer." Ou seja, é possível ter orgasmo sem sentir nada da cintura pra baixo. Alguns movimentos estão perdidos, mas mesmo assim podemos explorar de outros jeitos. Arrancamos algumas páginas do Kama Sutra e reinventamos outras, pode até não acertar na primeira tentativa, mas com jeito tudo se ajeita. Outra preocupação que as cadeirantes enfrentam é a questão fisiológica, esvaziar a bexiga antes da relação para não correr o risco de vazar, para elas isso é  primordial. O preconceito é nato do ser humano, quando uma parte do casal não é deficiente, os andantes são vistos como heróis, corajosos por "assumir" uma grande responsabilidade. Quando, isso é uma grande bobagem, já que ninguém está à procura de um enfermeiro, e sim de namorados. E o que todo mundo quer é carinho, prazer e amor. Então, relaxa e curte o momento! E você  vai me perguntar: Como fica a vida sexual depois de uma lesão medular? Eu respondo - Ela continua...

Beijo Grande!


domingo, 31 de março de 2013

Relacionamentos amorosos.


Falar de relacionamento amoroso e deficiência gera muita discussão, mas hoje, esse assunto está sendo muito mais ocorrente e fico feliz que as pessoas estão tomando consciência que o deficiente físico é igual a qualquer pessoa. Claro, que temos nossas limitações, mas isso não nos torna inferior as outras pessoas. Sei, que o corpo é o nosso cartão de visita, e geralmente esse corpo gera estranheza por parte das outras partes.  Quando alguém se apaixona por você não leva em consideração o estado físico. Pois a paixão, o amor, está acima desses fatores. Quando nos apaixonamos, apaixonamos pelo conjunto inteiro, pelo sorriso, o modo de falar, como se comporta, como sorrir, o corpo é só um agregado. Nós deficientes, temos a mania de ser inseguros perante as relações amorosas, sei que o medo de nos decepcionar nos torna mais frágeis. Somos como uma sapateira velha no canto da casa com muita poeira e cheia de sapatos, um dia alguém descobre aquela sapateira velha e ao abrir redescobre que a algo de bom nela, os sapatos. (risos) as imensidões de coisas bonitas. Quando alguém tá afim de você de verdade ele (a) não vai se importar do jeito que você anda, nem como seu corpo se apresenta. Pode ser a garota mais linda e sexy do mundo, mas quando o cara não tá afim, ele não vai correr atrás de você. Felizmente, as coisas acontecem de maneiras adversas, eu penso que isso é muito válido. Como todo mundo, temos nossas relações, como qualquer pessoa temos nossas diversidades. Ninguém é igual a ninguém e com isso aprendemos a respeitar o espaço do outro, refletir sobre o que realmente queremos. Não somos bibelôs, somos pessoas e isso acontece com qualquer ser na face da terra. Claro, que no começo tudo são flores, você pensa que encontrou o cara perfeito, mas com o tempo vão aparecer os defeitos. E com você será exatamente igual. Defeitos e qualidades existem pra provar o quanto a gente ama determinada pessoa.  Com o tempo você vai aprendendo a lidar melhor com as outras pessoas e as relações vão se tornando mais fáceis. RELACIONAMENTO não é fácil, mas cada um com seu jeito, suas diversidades, vamos nos acostumando um com o outro e se nessa relação o amor estiver em evidência, vai tornar um caminho sólido. Nada é tão gratificante quanto superar esses caminhos de pedras.  Relaxa, que no fim a vida toma o caminho certo.

Beijo grande! 

domingo, 7 de outubro de 2012

A Monstra!

     Essa semana ela surgiu mais uma vez na minha vida, sem fazer algum barulho, de repente eu me senti frágil, debilitada e como ela tomou conta do meu corpo de uma forma que quando eu menos esperei,  não acreditei que ela estivesse aparecido novamente como uma sombra. Depois dessa reclamação toda, a infecção urinária veio sem pedir licença. Como vocês sabem, eu não uso sonda, mas meu xixi é contado, regulado, sei mais ou menos como minha urina se comporta, eu sei que todos meus leitores devem estar imaginando que eu sou louca. Mas vida de lesada é assim mesmo, tudo programado, orientado, remédios, é um saco! Às vezes você cansa de tanta tralha, tanto remédio, você leva consigo um kit que jamais queria ter herdado de forma alguma.  A vida tem dessas surpresas um tanto incômodas que tenho que acostumar a lidar com cada uma delas. Mas voltando ao assunto, como eu sei exatamente como é meu xixi, cheiro, cor, volume, domingo ele começou a mudar, mas não dei muita importância, entretanto na quarta-feira a coisa piorou de tal maneira. De hora em hora estava eu lá no banheiro esvaziando a bexiga, isso quando não escapava na roupa. (risos). O cheiro também mudou e em consequência disso a cor também. Dor eu não senti, mas os sintomas estavam em evidência, só poderia ser a tal. A noite foi pior, não conseguia dormir direito, de hora em hora tinha que acordar, pra ir ao banheiro. Depois de mais de 36 meses sem a sombra da monstra, ela tomou conta, então sexta-feira comecei a tomar o antibiótico recomendado, não aguentava mais tanto xixi na minha vida. (risos) Depois de algumas horas que eu tomei a primeira dose, senti um alívio imenso. Como a gente não dar valor para as pequenas coisas, o ato de fazer xixi tranquila, mesmo com o remédio que tenho que tomar pra controlar a minha incontinência, isso sim que importa nessa minha vidinha de lesada. Na verdade nessa vida de cadeirante tudo é uma forma de adaptação, adaptar-se para que sua vida seja mais normal possível, claro que ser diferente da maioria das pessoas não te torna pior, ou melhor, que as outras pessoas, como sempre digo: todo mundo é igual, só a forma de andar que nos torna um pouco diferente. Mas a vida é essa, com ou sem sonda e monstras importunas, o importante é seguir em frente. 

Beijos Cadeirantes!

sábado, 8 de setembro de 2012

A Cadeira de banho!

Quem me acompanha aqui no blog, sabe que em dezembro de 2011, a lesada aqui participou de um concurso e ganhou uma cadeira de banho. Então, a cadeira chegou faz algum tempo, e estou devendo um post aqui para meus queridos leitores. Em primeiro lugar, a cadeira é magnífica, ela tem um design muito bonito em se tratando de uma cadeira de banho para quem está acostumada com aqueles monstros da era pré histórica. Outro ponto positivo na cadeira é que ela é desmontável, assim podendo transportar para qualquer lugar, um detalhe é que terei que levar uma chave de fenda junto.(haha) Sua altura é regulável como as muletas, podendo assim colocar o tamanho mais propício para o seu conforto, ela também é bem leve, fácil de carregar. Só uma coisa que não achei muito inteligente nessa cadeira, a base dos pés são feitos de borracha como as muletas, quando quero mudar de lugar e estou sentada na cadeira fica um pouco difícil, porém nada que dois braços não consigam arrastar. (risos)
Independente da cadeira de banho que você escolher, o importante é se sentir confortável e segura quando estiver usando a mesma.
Só uma curiosidade, que não poderei deixar escapar: Esses dias, estava conversando sobre banho, então, eu falei da cadeira de banho, então a pessoa me perguntou se eu tomava banho sentada. Adivinha  qual foi a minha resposta? (risos)  Não, imagina, eu tomo banho em pé, e durante o dia  ando na cadeira de rodas para me divertir. Claro que não respondi desse jeito, mas que deu vontade, isso deu.

Beijos muletantes!:)