terça-feira, 12 de junho de 2012

Sempre Amor!




     O Dia dos Namorados chegou e com ele resolvi escrever um pouco sobre namorados e deficiência, eis um assunto bem polêmico. Relações são complicadas sozinhas e as pessoas complicam as situações elevadas ao quadrado. Imagina em se tratando em uma relação onde encontra alguém com alguma limitação, deficiência. Muitas pessoas ainda têm ideias retrogradas sobre esse assunto. Imaginam e inventam maneiras e desculpas porque aquele casal ainda está naquela relação. Algumas dessas desculpas chegam a ser levianas para não escrever uma palavra mais dura.  A piedade e o dinheiro é um desses agravantes, que eu acho um absurdo.
     Será que nunca passou pela cabeça dessas pessoas que se aquele casal resolveu estar junto, eles não se importam nem um pouco com a deficiência e até fazem bom proveito da mesma. Pode até parecer piegas, mas o amor é igual pra todo mundo, não há regras nesses casos, cadeirante, cego, muletante, surdo, magro, gordo, alto, baixo não há ninguém que resista aos encantos do amor.  Eu sei que algumas pessoas são resistentes nesses assuntos, mais há uma ressalva, ninguém nasceu para viver sozinho e precisamos vivenciar essas experiências. Sei que quando se trata  de  pessoas com deficiência, a super proteção da família prejudica, porém em outros casos é o combustível para alimentar os sabores e dissabores da vida. Porque felizmente não estamos tratando de “Bibelôs” e sim de seres humanos com sentimentos,  como qualquer pessoa o sofrimento e a decepção podem acontecer que eu acho isso muito válido, pois as experiências passadas que irão nos fazer crescer afetivamente na vida.
      Temos que nos acostumar que a deficiência é um caso à parte, somos pessoas comuns que estamos vivendo a vida, claro que dentro das nossas limitações. Temos família, emprego, estudamos, dirigimos e estamos aí, seguindo nossas vidas. Nós seres humanos nascemos com uma convicção. Desde pequenos somos alienados ao encontro do parceiro (a) perfeito, mas acredito que o perfeito simplesmente não existe, nem pessoa certa. Existem pessoas que se completam com as suas imperfeições, diferenças, sejam elas físicas ou outra qualquer.  Já pensou um casal perfeito sem defeitos nenhum, na verdade não seriam humanos e sim bonecos treinados. A graça, o encanto do amor e da paixão está nas diferenças que existem entre as pessoas..
       Amor, carinho e respeito é um trio que funciona muito bem em se tratando de relações.  Seja feliz com o que você tem e não fique se martirizando com seu corpo ou escolha. A vida é só uma, então,  aproveite o que você tem e diga o quanto  ama, não deixe de expressar seus sentimentos. O importante é amar, a forma pouco importa. Ai, eu estou tão romântica!!! Haha

Beijo grande!!!

Feliz Dia Dos Namorados!!!

sábado, 26 de maio de 2012

50.000 acessos!


     Há mais de dois anos criei esse blog na tentativa de me redescobrir, acho que todo ser humano passa por uma fase de descoberta. Eu, muletante, com as minhas muletas cor de rosas que apoiaram as minhas pernas durante quase dez anos, agora passava por um momento de transição de muletante para cadeirante. Foi e sempre será um momento marcante em minha vida. É difícil explicar a complicação, dúvidas, anseios, medos e dissabores que passaram pela minha mente. De repente o chão parece que está se movendo para um lugar que você nunca imaginou. Você se torna frágil e relevante, não sabe se fica com as muletas em pé sofrendo toda aquela dor ou senta de uma vez em um a cadeira de rodas.  Você não é capaz de forjar nada daquilo que pensou um dia. Uma decisão árdua, mas que depois você olha para trás e sente orgulho de tudo o que passou e a forma que você superou todos os seus medos e angústias, que um dia estava ao seu lado. Agora, já não é mais aquela menina com inseguranças e todas aquelas fantasias que nós mulheres temos a tendência de fantasiar. 
      Nunca  imaginei na possibilidade desse espaço tomar tamanha proporção. 50.000 acessos, puxa! Nunca imaginei mesmo. É muito gratificante saber que de alguma forma minhas palavras chegaram em algum lugar e tocaram alguém ou ajudaram em algum momento complicado de suas vidas. Tudo na vida tem um sentido, um destino! O blog foi um dos melhores presentes da minha vida!!!
       Uma das coisas que aprendi depois que sou cadeirante é que a vida nos ensina muito e cabe a nós escolhermos o melhor caminho, sem espinhos e arranhões. Posso dizer que eu cresci (não na altura, pois isso seria demais, rs), mas cresci como pessoa, evoluindo na vida tanto sentimental como qualquer outro campo.

      O blog nunca foi uma forma pretensiosa, só o fiz para escrever tudo que eu penso, mas vou lhe confessar uma coisa: Nunca fui boa com as palavras, porém quando releio o primeiro post até o último, percebo que há uma grande diferença entre essa transição. Percebo como cresci também com as palavras, isso me torna cada vez mais segura em escrever minhas experiências como uma cadeirante ou até relembrar momentos como muletante. Eu nunca pensei que um dia iria falar isso, entretanto sinto saudades do tempo que andava com as minhas muletas cor de rosa, claro que é só um momento nostálgico. Agora é focar na realidade de cadeirante.
      A vida é uma linha tênue, por isso aproveite cada momento que temos oportunidade para evoluir e crescer, cada momento é delicado, porém também pode ser transbordante, não desperdice nem um minuto se quer...
       Posso dizer que o blog deu-me alguns momentos de felicidade e também de sorte. Conheci muitas pessoas nesse espaço chamado blog esfera, pessoas que me ajudaram de alguma forma e também pessoas que eu ajudei. Essa troca de informações, dores, vidas, cadeiras, rodas entre tantas coisas fazem de nós pessoas em comum. Não só cadeirantes, mas também andantes, procurando nesse mundo algo para fazer sentido, mudar um pouco, tirar da rotina esse Brasil tão preconceituoso, não só com as pessoas que por alguma razão são deficientes. Há um preconceito absurdo com negros, velhos, magros, gordos. Você não pode ser diferente da moça que está na revista de moda, que já é taxada fora dos padrões de uma sociedade hipócrita. Mas com certeza passamos por cima desses conceitos que não fazem parte das nossas vidas, futilidades alarmantes de pessoas que verdadeiramente não vivenciam e nem procuram saber como é a vida em cima de uma cadeira. Com certeza não é nada diferente da sua vida, pessoas comuns que estão lutando dia a dia como qualquer outra, atrás de uma vida mais digna. Apenas isso!
        Eu li em algum livro, que dizia mais ou menos assim: “Talvez todos devemos parar de tentar retribuir às pessoas deste mundo que apoiam nossas vidas. No final das contas, seja mais sábio se render à milagrosa abrangência da generosidade humana e simplesmente dizer muito obrigada para sempre e com sinceridade, enquanto tivermos voz.”

Eu repito MUITO OBRIGADA! 


Beijos enormes!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Dirigindo

     Uma das coisas mais legais que  aprendi depois que me tornei uma cadeirante foi dirigir. Bom, isso parece estranho, mas só aprendi a dirigir depois que perdi os movimentos nas pernas.  Mas nunca é tarde quando realmente se quer alguma coisa, quando se sonha e claro realiza-se o sonho.
     Como aqui tudo tem uma tendência própria à dificuldade, imagina o abismo que me meti sendo cadeirante e agora motorista. Não posso dizer que eu tive facilidade em aprender dirigir.  Imagina você sentar pela primeira vez diante do volante e ver aquele monte de acessórios que vai ter que aprender a lidar, freio, acelerador, seta, guiar o volante e tudo com apenas duas mãos.  Como qualquer pessoa nesse planeta tenho as minhas dificuldades, e claro que fácil não é.
     Todo cadeirante quando vem ao mundo já traz agregado o espírito de luta e coragem, pois ser cadeirante não é uma tarefa fácil para qualquer pessoa, os obstáculos vão aparecer em sua frente todo dia, qualquer hora, temos que ter a coragem de ultrapassá-los dia a dia. Com a coragem que eu não sei de onde tirei e o treinamento cheguei lá.  Com responsabilidade e respeito ao trânsito hoje sou uma motorista.
         Depois de quase seis meses de burocracia (Receita Federal, Receita Estadual e Concessionária) meu carro finalmente chegou. 
        Agora esse tal de preconceito é um dos dissabores que a vida nos dá, mas temos que aprender a dar a volta por cima. Como a palavra mesmo diz é um pré-Conceito do que você não conhece. E também tudo que é fora do comum desperta nas pessoas uma curiosidade, e claro que comigo não seria diferente. As perguntas surgiram de muitas formas e maneiras, mas penso que é um jeito de conhecer quem está sentado (a) na cadeira de rodas. E assim mudar a opinião. Como dizem por aí: É conversando que a gente se entende.
        Como você vai dirigir? Você consegue? Foram as perguntas mais frequentes que eu escutei na minha vida durante as minhas aulas de volante. As perspectivas das pessoas são um caso à parte. O importante é ser o que você é, e ser uma motorista é muito bom. É uma sensação indescritível, poder pegar seu carro e sair por ai, te dá uma sensação de liberdade que a cadeira e as muletas não me deram em nenhum momento da minha vida.  Agora só falta aprender a montar e desmontar a cadeira, outra coisa que tenho que criar coragem! E com o tempo vou dirigindo cada vez melhor. 
    Para vocês entenderem como funciona um carro adaptado para cadeirantes, vou postar algumas fotos aqui.
     O acelerador e freio é essa peça que fica ao lado esquerdo do volante. Puxando para cima o carro acelera, empurrando para baixo o carro freia. Depois de algum tempo dirigindo você nem percebe mais os movimentos, pois tudo se torna automático. hehe


Acelerador e freio.
Câmbio Automático













Espero que gostem e incentivo a todos deficientes e também não deficientes a terem esse gosto de liberdade e aprenderem a dirigir. Sei que no começo pode parecer impossível e até mesmo encontrarmos dificuldades. Mas nada nesse mundo é impossível até alguém tentar e claro, conseguir.

Beijos muletantes!


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ajustes!

Os puxadores na cadeira.
Depois de dois anos com a minha hiper, super, mega cadeira vermelha com suas asas esvoaçantes, pena que as asas não criaram vida e começaram a voar.  Como qualquer cadeira para ter uma vida útil é preciso passar por ajustes frequentemente.
Bom, como aqui na minha cidade não existe uma especializada da  Ortobrás , qualquer pessoa que entenda um pouco de mecânica e esteja interessado em peças de cadeira de rodas está valendo. (risos)

Então o meu mecânico preferido deu uma geral na minha cadeira.
Baixou a traseira da cadeira, assim deixando  mais propícia para treinar as minhas aulas de empinamento  da mesma, e também a probabilidade de cair aumentou consideravelmente. (risos)
*Colocou os puxadores já que a minha cadeira  estava sem os mesmos (teimosia da lesada)
*Colocou dois parafusos naquele ferro que passa por baixo do pedal, uma ideia muito boa para os fabricantes de cadeira de rodas adotarem.
*Lembram do parafuso que sempre espanava, também ajustou e ficou uma maravilha.
Os parafusos no pedal.
        Ajustes simples que fez a diferença em uma cadeira de rodas, assim deixando com mais qualidade para as minhas rodadas por ai.
Ah! Cuidado para vocês não se engasgarem com a poeira no pedal da cadeira. (risos)
Depois desses ajustes minha cadeira ficou mais leve, os arranhões infelizmente não pude fazer nada.  Mesmo assim foi muito proveitoso os ajustes, cada vez que ajusto a cadeira é uma nova fase de readaptação, até eu me acostumar, demora um pouco.

"Cadeira arranhada é sinal que você está em plena atividade e não se esconde dentro de casa, cadeira arranhada é cadeira com vida."

Beijos enormes!

domingo, 22 de abril de 2012

Cadeira e vida


Bom, já faz quase dois anos que sou uma cadeirante, (isso vocês já estão carecas de saber, eu sei, mas não custa refrescar a memória rs) e nesses dois anos, a minha super cadeira de rodas com suas asas esvoaçantes tem sofridos problemas constantes. Por ser uma cadeira Top nacional não deveria ser assim,  não é mesmo? Mas vivemos no Brasil e aqui a qualidade em cadeira de rodas é muito inferior se comparada às internacionais, mas seja qual for o modelo ou marca de cadeira que você escolher  o preço é absurdo.

Alguns dias atrás, estava rolando uma foto em uma rede social, que agora é a onda do momento, e que eu não irei fazer propaganda aqui no meu blog. (risos)  Então, na foto faziam uma comparação entre os preços de uma bicicleta e de uma cadeira de rodas, claro que a bicicleta é muito mais em conta em se tratando de preço que a cadeira. Então, fica a pergunta. Ser cadeirante é muito mais caro que ser andante? Andar sentado, ou melhor,  rodando custa caro para os nossos bolsos cadeirantes, eu sei
 que não é só isso que torna difícil  uma vida sentada, é tanta coisa envolvida que às vezes você para e pensa:  Será que vale à pena tudo isso? Eu grifo com letras maiúsculas, em negrito e itálico para não passar despercebido nesse texto: COM CERTEZA VALE À PENA!
Eu sei que não é fácil viver em um país onde a falta de acesso grita toda vez que saímos nas ruas, que a falta de respeito e o preconceito andam juntos. Sondas, remédios, fisioterapias, intestino preso, incontinência urinária, escaras, ufa! Será que esqueci de alguma coisa? E também tem o fato da dificuldade de nos relacionarmos amorosamente.  Nós como seres humanos somos imperfeitos como qualquer pessoa deste mundo, temos as nossas angústias e dificuldades, mas isso não quer dizer que somos incapazes de amar. As pessoas têm ideias erradas e antigas sobre isso, claro que temos dificuldades de locomoção, às vezes é necessário a  ajuda do nosso companheiro ou companheira, mas isso não vai te tornar um mártir para toda a vida. Eu sei que a dificuldade é imensa, mas se há amor entre os dois, isso supera qualquer dificuldade ou obstáculo que surgirá durante o relacionamento. O amor, a vida está acima da deficiência. A deficiência é só uma forma que seu corpo apresenta. A deficiência não é imune às paixões e relações, felizmente!
Sabe-se que a felicidade é algo fantasioso que não podemos pegar com as mãos ou decidir que ela fique aqui do meu lado para sempre, a felicidade vai e vem em nossas vidas, momentos e circunstâncias que acontecem. Ninguém é feliz eternamente, todos nós temos dificuldades no trabalho, nos relacionamentos, na família e assim vai. Mas quando você percebe que a felicidade está chegando em sua vida você precisa agarrar essa felicidade com todas as suas forças, não se trata de egoísmo, mas sim de libertação. Você recebeu a vida, é seu dever e também seu direito como ser humano encontrar alguma coisa de belo por mais ínfima que seja.  Não adianta lutar contra a correnteza, um dia a sua hora chega e a felicidade está incluída no pacote. (haha)
Felicidade, vida e cadeira de rodas podem andar juntas.
A vida é isso, um misto de acontecimentos que torna o ser humano, pessoas capazes de não encontrar dificuldades para amar. A deficiência é inerente, então não dificulte as coisas, aceite como elas são.
        



 "A vida é única e bela, se tivemos a chance de estar aqui na terra, algum significado isso tem,  faça dela uma passagem única e viva, somente viva!"

Descrição: Na foto do post uma moça sentada na cadeira de rodas com os braços abertos de frente para o mar.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Dois segundos!

         Uma das palavras que eu aprendi depois que fiquei cadeirante foi "Coragem", não pelo simples significado, mas por ter vários significados dependendo de como você vê a sua vida.  Coragem e medo são duas palavras que andam lado a lado, primeiro sentimos medo de alguma coisa, depois do medo, um sentimento de coragem invade o nosso corpo e de repente aquele sentimento, o medo já não existe mais.  Sabe, que nós, às vezes nos subestimamos. Será que vou conseguir fazer isso ou aquilo? Sempre haverá alguém que irá te dizer que você não consegue, mas também haverá aquela que vai ficar do teu lado e falar:  Claro que você consegue.
          Pois é, eu me subestimei e pensei que não teria coragem em empinar a minha cadeira de rodas. Eu sei que pra vocês pode parecer algo bobo, sem razão ou até questão de exibicionismo. Mas, pra quem não conhece a vida de um cadeirante, empinar a cadeira não é questão de exibicionismo e sim de independência perante a vida. Por ser independente e conseguir empurrar a minha cadeira sozinha, eu queria ir mais além, ou melhor, alguém me fez ver que isso seria ótimo para a minha independência.
           Então com muito medo, mas a coragem que eu descobri que tenho, consegui empinar a minha super cadeira. Para quem tem que ultrapassar obstáculos diariamente por onde passa, é uma grande conquista. O barato é você subir e descer degraus sem ajuda de ninguém, claro que ainda é o começo, mas não custa sonhar.
Foram dois segundos, mas esses dois segundos significaram muito para mim!
Espero que vocês gostem!





Para quem não conseguir ver o vídeo pelo blog, o link está aqui:
Empinando a cadeira de rodas.

Beijos enormes!!!